sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mais rápido que o silício

Agência FAPESP – O futuro está chegando. Pelo menos para o grafeno, que está cada vez mais próximo dos computadores, nos quais poderá ocupar o lugar do hoje onipresente – mas cada vez mais próximo do limite tecnológico – silício.

Desde que essa nova forma de carbono foi isolada, em 2004, pelo grupo de Andre Geim, na Universidade de Manchester, diversos centros de pesquisa espalhados pelo mundo têm estudado as propriedades e aplicações dessa nova forma de carbono.

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (5/2) da revista Science, um grupo do Centro de Pesquisa Watson da IBM, nos Estados Unidos, descreve a produção de transistores de efeito de campo formados por uma camada de grafeno sobre uma lâmina de silício.

O mais notável, segundo o estudo, é que o dispositivo atingiu a frequência de 100 gigahertz por uma distância de 240 nanômetros. A performance de alta frequência desse transistor de grafeno em tal distância supera os melhores de silício até hoje construídos.

Transistores feitos de grafeno podem alternar sinais eletrônicos mais rapidamente do que os de silício, apontam os pesquisadores. Tais transistores poderão se mostrar, no futuro, muito úteis em aplicações que exigem grande frequência e velocidade.

O grafeno é o mais fino e também considerado o mais forte de todos os materiais. Por características insólitas (reduzida espessura, por exemplo) e propriedades notáveis (condução de eletricidade), ele tem sido cotado, entre outras coisas, como possível sucessor do silício na fabricação de chips de computador ou como o material de base para a nova geração de dispositivos eletrônicos.

Por formar folhas resistentes e capazes de serem dobradas sem danos – por conta do arranjo de átomos de carbono em uma estrutura que lembra o de uma colmeia –, uma das principais aplicações potenciais do grafeno está na fabricação de aparelhos eletrônicos flexíveis.

O artigo 100-GHz Transistors from Wafer-Scale Epitaxial Graphene (10.1126/science.1184289), de Yu-Ming Lin e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Plutão muda de cor e seu hemisfério norte é mais brilhante

As últimas imagens de Plutão transmitidas pelo telescópio Hubble mostram que o planeta anão muda de cor, de intensidade luminosa, e que sua camada de gelo de azoto flutua, segundo as observações apresentadas, que permitem melhor compreender este astro celeste.

As imagens tomadas pelo Hubble indicam que Plutão, que perdeu seu estatuto de planeta do sistema solar em 2006 devido a seu pequeno tamanho, está 20% mais vermelho, comparado às últimas décadas.

Além disso, seu hemisfério norte é muito mais brilhante. Estas mudanças são, provavelmente, consequência do derretimento do gelo do polo norte, exposto ao sol e ao retorno da glaciação no polo sul mais sombrio, enquanto Plutão realiza seu próximo ciclo sazonal que dura 248 anos.

As análises das diferentes imagens indicam que uma mudança drástica de cor se produziu entre 2000 e 2002.

As imagens do Hubble confirmam que Plutão não é uma bola de gelo e rochas, mas um mundo em movimento que passa por mudanças atmosféricas importantes.

As variações sazonais são explicadas por sua órbita elíptica de 248 anos em torno do sol mais do que pelas variações em torno de seu eixo de rotação que tornam as estações assimétrica. É assim que uma estação pode durar 120 anos em Plutão.

Observações feitas a partir de vários telescópios em terra, em 1988 e 2002, mostram que a atmosfera de Plutão dobrou de volume durante este período devido ao aquecimento do hemisfério norte que fez fundir o gelo de azoto.
fonte: Terra

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Hubble flagra suposta colisão frontal de asteroides

publicado em 04/02/2010 às 09h03:


Telescópio nunca tinha detectado um colapso desse tipo



Nasa/ESA/D. JewittFoto por Nasa/ESA/D. Jewitt
Padrão misterioso de fragmentos em forma de X e rastros
de poeira sugerem colisão frontal entre os dois asteroides

O telescópio Hubble da Nasa (agência espacial americana) detectou um misterioso padrão de fragmentos em forma de X e rastros de poeira que sugerem uma colisão frontal entre dois asteroides. Por muito tempo, os astrônomos pensaram que o cinturão de asteroides estava sendo moído pelas colisões, mas esse tipo de colapso nunca foi visto antes.

Colisões de asteroides são enérgicas, com uma velocidade de impacto médio de mais de 11 mil km/h , cinco vezes mais rápido do que uma bala de fuzil. O objeto parecido com um cometa fotografado pelo Hubble, chamado P/2010 A2, foi descoberto por um levantamento do céu realizado em 6 de janeiro.

Novas imagens do Hubble obtidas nos dias 25 e 29 de janeiro mostram um complexo padrão na forma de “X” de estruturas filamentosas perto do núcleo, explicou o coordenador do estudo, David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

- Os filamentos são feitos de poeira e cascalho e provavelmente foram lançados para fora do núcleo há pouco tempo.

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O Hubble mostra que o núcleo principal da P/2010 A2 está fora do seu próprio halo de poeira. Isso nunca foi visto antes em um objeto parecido com um cometa. O tamanho estimado do diâmetro do núcleo é de 460 m.

Cometas normais costumam cair nas regiões mais interiores do sistema solar. À medida que eles se aproximam do sol e se aquecem, o gelo perto da superfície evapora e libera o material do núcleo do cometa sólido por meio de jatos.

Mas o P/2010 A2 pode ter uma origem diferente. Ele orbita as regiões quentes e internas do cinturão de asteroides, onde seus vizinhos mais próximos são corpos rochosos sem material volátil.

Isso deixa aberta a possibilidade de que a cauda de detritos complexos é o resultado de uma colisão entre dois corpos, em vez de ser o gelo derretido de um corpo celeste parecido.

O pesquisador explicou que, “se a interpretação estiver correta, dois pequenos e desconhecidos asteroides que colidiram recentemente, criaram uma chuva de detritos que está sendo varrida para a cauda pela pressão da luz do Sol”.

O telescópio espacial Hubble é um projeto de cooperação internacional entre a NASA e a Agência Espacial Europeia.
 Fonte:  R7

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

NASA registra estranho cometa em forma de X

Paula Rothman, de INFO 
Quarta-feira, 03 de fevereiro de 2010 - 12h30


NASA, ESA, and D. Jewitt (University of California, Los Angeles). Photo No. STScI-2010-07
NASA registra estranho cometa em forma de X


SÃO PAULO – A Agência Espacial Americana registrou um curioso objeto em forma de X no espaço.

Chamado de P/2010 A2, ele foi descoberto em 6 de janeiro, mas somente novas imagens, tiradas entre 25 e 29 de janeiro pelo telescópio Hubble, mostraram o curioso padrão dos filamentos e estruturas.

No momento da foto, ele estava a 289 milhões de quilômetros do Sol, e 144 milhões da Terra. As imagens mostram que o núcleo teria 140 metros de diâmetro.

Por sua velocidade, e seu rastro de poeira, a NASA acredita que se trata de um cometa, fruto da colisão de dois asteróides. Esse tipo de impacto acontece a velocidades de mais de 17 mil km/h – ou cinco vezes mais rápido que um tiro.

Segundo a NASA, os cometas detectados normalmente vêm parar nas regiões centrais do sistema solar vindos de reservatórios de gelo no cinturão Kuiper e na Nuvem Oort. Conforme se aproximam do Sol, o gelo na superfície evapora e libera material do núcleo do cometa.

Esta, no entanto, não é a origem provável do P/2010 A2. Evidências como a ausência de gás na cauda poderiam ser explicadas pelo surgimento em um impacto entre dois corpos. Além disso, sua órbita é consistente com a de uma família de asteróides que se formou há 100 milhões de anos, fruto de colisões em uma região conhecida como Cinturão de Asteróides.

Acredita-se que um desses fragmentos atingiu a Terra há 65 milhões de anos, causando a extinção em massa dos dinossauros. Astrônomos também crêem que, há algum tempo, o cinturão de asteróides vendo sofrendo colisões, mas evidências de um impacto como esse nunca haviam sido registradas.

Na página da NASA, é possível ver a foto em alta.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dieta ou exercício


29/1/2010

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Exercício físico ou restrição alimentar. Qualquer dos dois fatores evitou que ratos obesos desenvolvessem disfunção cardíaca, segundo um estudo feito na Faculdade de Medicina em colaboração com a Escola de Educação Física e Esporte, ambas da Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho indicou também que a associação das duas condutas não medicamentosas não resulta em benefício adicional na função cardíaca. A explicação dos pesquisadores para isso é que cada uma das intervenções isoladamente já é suficiente para evitar que a obesidade crônica provoque a disfunção cardíaca.

De acordo com Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e orientador do estudo, as alterações cardíacas decorrentes da obesidade podem ser evitadas “se a restrição alimentar ou o exercício físico for utilizado como conduta não medicamentosa para interromper o processo de obesidade crônico”, disse.

Além de avaliar os efeitos do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca, um dos objetivos do estudo foi tentar esclarecer o papel dessas intervenções nos mecanismos moleculares envolvidos nas alterações cardíacas causadas pela obesidade.

Os resultados fazem parte da tese de doutorado “Efeito do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca e resistência à insulina em ratos obesos”, de Ellena Paulino, feita com apoio de Bolsa da FAPESP e defendida em novembro de 2009, com orientação de Negrão.

O docente também coordena o Projeto Temático “Exercício físico e controle autonômico na fisiopatologia cardiovascular”, apoiado pela Fundação, e é professor titular da Escola de Educação Física e Esporte da USP.

“O estudo acrescenta conhecimentos importantes sobre o papel do exercício e da restrição calórica nos mecanismos moleculares associados à função cardíaca na obesidade”, disse Negrão.

Na pesquisa, ratos wistar machos foram alimentados com dieta normocalórica (quantidade normal de calorias) ou hipercalórica (rica em gordura e açúcar) durante 25 semanas. Após esse período, os animais alimentados com a dieta hipercalórica foram subdivididos em quatro grupos e acompanhados por mais dez semanas.

No primeiro grupo, os ratos continuaram recebendo a dieta hipercalórica e foram mantidos sem treinamento físico. No segundo, continuaram com dieta hipercalórica e foram treinados. No terceiro, deixaram de receber esse dieta para serem submetidos à restrição alimentar (menos 20% da ingestão diária). No quarto grupo, os ratos foram submetidos ao treinamento físico e à restrição alimentar.

“Após a vigésima quinta semana, os animais submetidos à dieta hipercalórica não apresentavam alterações na função cardíaca, embora já apresentassem substancial ganho de peso”, explicou Ellena.

“Após mais dez semanas de alimentação rica em gordura e mais ganho de peso corporal, eles apresentaram alteração na força de contração do coração e nas proteínas moleculares envolvidas nessa função. Isso foi evitado nos animais submetidos ao exercício físico ou à restrição alimentar”, contou.

Outros benefícios

Outro resultado importante sobre o papel do exercício e da restrição alimentar alcançado no trabalho está relacionado ao metabolismo de lípides. “A restrição alimentar em associação com o exercício físico diminuiu significativamente a esteatose e a hipertrigliciridemia em animais obesos”, disse Ellena.

Mas se por um lado a associação da restrição alimentar e do exercício físico não mostrou efeito cumulativo nos parâmetros cardíacos, por outro lado essas duas intervenções associadas diminuíram a quantidade de gordura estocada no fígado de animais obesos (esteatose hepática) e, também, os níveis de triglicérides plasmático.

“Embora a restrição alimentar isoladamente diminua a quantidade de gordura acumulada no fígado, ela aumentou a concentração de triglicérides plasmático, o que sugere um aumento na resistência hepática à insulina. Esses são achados importantes. Sabe-se que a esteatose, triglicérides aumentados e a resistência à insulina elevam o risco de doença cardiovascular”, destacou Ellena.

Segundo a pesquisadora, o trabalho permite concluir que a restrição calórica e a prática de exercício devem ser recomendadas para a prevenção de alterações cardíacas e metabólicas causadas pela obesidade.